Rapidão Cometa vende participação a fundo para crescer com aquisições aranaense Visum inaugura nova fábrica em Manaus

Dois fundos da gestora Governança & Gestão (GG), do ex-ministro do Planejamento Antonio Kandir, compraram uma participação minoritária no operador de logística Rapidão Cometa, de Pernambuco, por meio de um aporte de recursos. Os valores da transação não foram divulgados - nem pelo fundo nem pelos donos da empresa .

Com o montante investido, o Rapidão partirá agora para um agressivo plano de crescimento, inclusive com aquisições de concorrentes. Mesmo em meio à crise, a previsão para este ano é alcançar um faturamento de R$ 900 milhões, cerca de 30% maior do que a receita obtida em 2008.

A Do lado da gestora, o objetivo do investimento foi ser sócia de um empreendimento cujo setor estivesse bastante relacionado à atividade econômica. "Queríamos um negócio que acompanhasse a variação do Produto Interno Bruto, o que é o caso da logística", explica o gestor Cláudio Santos. Além disso, a Rapidão, apesar de ser uma empresa de atuação nacional, tem boa parte de suas operações concentradas no Nordeste, região que vem crescendo a taxas superiores à média nacional.

Outro fato que pesou foi o segmento de logística ser bastante pulverizado, o que abre espaço para consolidação. Desde 2005, operações de fusões e aquisições estão ocorrendo, como foi o caso da compra da Mercúrio pela TNT em 2007.

É por essa razão que o empresário pernambucano Américo Pereira, controlador do Rapidão, também optou por partir para uma sociedade com os fundos geridos pela GG. "Com mais recursos, o crescimento pode se dar de forma mais rápida", avalia ele, que começou a trabalhar na companhia em 1965 e acabou adquirindo seu controle em 1977. Agora, mesmo com a entrada dos sócios, Pereira se manterá à frente da operadora.

Com o dinheiro em caixa, o objetivo da companhia de logística é ampliar a área de atuação do Rapidão. "Queremos reforçar nossa posição principalmente nas regiões Sul e Sudeste", diz Américo Pereira Filho, diretor comercial e filho do fundador. Como parte dessa estratégia, a companhia investiu recentemente R$ 32 milhões em um terminal logístico em São Paulo de 65 mil metros quadrados, o triplo da área do antigo.

Investir em tecnologia da informação e na contratação de novos profissionais que acompanhem o ritmo de crescimento da empresa são outras metas dos controladores do Rapidão.

Pereira Filho diz acreditar que um dos maiores trunfos do Rapidão no processo de consolidação do setor seja o fato de ele oferecer um pacote de serviços que extrapola o simples transporte. No caso da Visanet, por exemplo, é o Rapidão quem instala, troca e conserta as máquinas de pagamento nas lojas. "Cada vez mais o que as empresas buscam são soluções de logística, não o mero carregamento de mercadorias", afirma o diretor.

E como está a companhia em meio à turbulência econômica? De acordo com Pereira Filho, no último trimestre do ano passado já foi possível sentir uma desaceleração no ritmo de atividade. De 2007 para 2008, o faturamento do Rapidão cresceu 23%, mas o ritmo dos últimos três meses foi de 15%. "Alguns segmentos, como o de motos, retraíram a atividade. Mas outros, como cosméticos e têxteis, cresceram", afirma o empresário-executivo.

Para ultrapassar a turbulência neste ano, o Rapidão aposta nos retornos que o aporte da GG possam trazer via expansão orgânica e aquisições.

Os fundos geridos pela GG tem outros cinco investimentos em empresas. São elas a fabricante de não-tecidos Providência, a editora Ediouro, a produtora de placas Visum, o frigorífico Perdigão e a rede de supermercados Gimenes, que recentemente entrou com um pedido de recuperação judicial

Jornal Valor Econômico
15/01/2009
Por Carolina Mandl